Um dia, estava olhando as estrelas, como se estivesse com elas conversando quando, de repente, ouvi uma pergunta:
- Você sabia que estas estrelas não mais existem?
Admirado, respondi:
- Mas e seu brilho?
- O brilho destas estrelas é apenas a energia que delas continua a vibrar, pois já morreram há milhares de anos;.mas, tamanha distância têm de nós, que seu brilho, mesmo estando mortas, continua a nos atingir.
Continuei a admirá-las, pensando. Que força é esta que impulsiona, para nós,
tamanho amor e grandeza? Que, mesmo um ser estando já extinto, continua o melhor de si a espalhar? Que energia é esta que, agigantando-se perante a própria morte, continua iluminando o céu de nossas esperanças?
Que força é esta que continua se doando, trazendo-nos luz e beleza, comprovando, com sua própria entrega, que a morte não existe?
Emocionado, me perguntei:
- Então por que não imitamos as estrelas? Quando, mesmo nos sentindo mortos por dentro, cheios de aflições e desesperanças, mudos, calados, perante desilusões e injustiças, não continuamos a refletir o melhor que temos em nós, para outrem mais infeliz que nós mesmos?
Por que nós, perante um mundo que, na maioria das vezes, consideramos 'mau', abrigando em seu seio somente seres que sofrem, nada mais... por que não continuamos, a espalhar nosso brilho, deixando o mesmo refletir ao longe, onde nosso pensamento não possa alcançar?
Por que, mesmo extintos em nós o dom de crer na própria vida, não continuamos a doar nossa energia, nossa própria essência, a qual transformada em amor e grandeza possa continuar a iluminar o céu de nossos semelhantes?
Por que não apreendemos esta lição tão simples, estando sempre a dificultar o sentimento maior: O amor!
Por quê?
Se, imitando as estrelas, nosso brilho se perpetuaria, independente do "nós" e, alongando-se, atingiria universos distantes...
... Onde, com certeza, teríamos sempre alguém falando com as estrelas.
Fernando Dantas
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